Graça Aranha: 90 Anos Depois

GRAÇA ARANHA: 90 ANOS DEPOIS
(Valdete Soares Queiroz, APLAC)

Há exatamente 26 de janeiro de 1931, o Brasil fica em luto pela perda de um ilustre maranhense “cidadão do mundo”, Graça Aranha.

Como um tecelão altruísta, Graça
Aranha utiliza as oportunidades profícuas a sua intelectualidade, e na rede de
teias por ele tecidas torna-se: Jurista, ensaísta, dramaturgo e diplomata.

Graça Aranha nasceu em
São Luiz do Maranhão em 21 de junho de 1868, batizado como José Pereira da
Graça Aranha, o eterno GRAÇA ARANHA. 
Oriundo de uma família rica e culta, desde a mais tenra idade viu o lar
de seus genitores ladeados por políticos e comerciantes, além de um contingente
de empregados, sendo esta experiência crucial para alimentar sua imaginação em
ricas narrativas.

Por desfrutar de uma
situação econômica favorável, viajou para Recife adentrando no curso de Direito,
formando-se em 1886. Atuando como Magistrado no Espírito Santo e Rio de
Janeiro. Participou também da fundação da Academia
Brasileira de Letras (ABL),
em 1897,
sendo titular da cadeira de número 38, cujo patrono foi Tobias Barreto. Vale
acrescentar que Graça Aranha entrou para a Academia sem ter publicado livros
fato que contrariava o Estatuto da mesma.

Mas, tendo ele
papel importante na fundação da Academia; em 18 de outubro de 1924, Graça Aranha
oficializa seu desligamento da instituição por ter sido recusado um projeto de sua
autoria para a renovação da ABL.

Como diplomata este
brasileiro, maranhense passou 20 anos em missões diplomáticas por diversos
países na Europa, o que lhe permitiu um contato bastante pragmático com a Arte
Moderna lá fora.

Imbuído de novos
conhecimentos Graça Aranha retorna ao Brasil na situação de diplomata
aposentado. E por incorporar novos conhecimentos da cultura moderna europeia,
participa da Semana da Arte Moderna, em 1922.

Principais Obras:

ROMANCES:

Canaã (1920).

A Viagem Maravilhosa
(1929).

TEATRO:

Malazarte (1911).

ENSAIOS:

A Estética da Vida
(1920).

CONFERÊNCIAS :

Espirito Moderno
(1925); Correspondência de Machado de Assis e Joaquim Nabuco, (1923);
Futurismo, Manifesto de Marinetti e Seus Companheiros (1926); O meu Próprio
Romance (1931) – este interrompido com sua morte.

Em Canaã Graça Aranha denuncia
preconceitos, extorsões, racismo e outras situações vividas pelos imigrantes em
terra estrangeira. Por estas características terem caráter documental; é
considerado como o marco inicial do Pré-Modernismo: Romance de tese ou de
ideias.

Afrânio Peixoto se
manifesta da seguinte forma acerca de Graça Aranha: “Magistrado, diplomata,
romancista, ensaísta, escritor brilhante, às vezes confuso, que escrevia pouco,
com muito ruído”.

Contraditório e contrário
a todas contrariedades, viveu a utopia do que idealizou. Durante a conferência “A
emoção estética na arte moderna” proferida em 13 de fevereiro de 1922, na
semana de Arte Moderna, transmitiu ao mundo toda a inquietude da sua sede por
novidade.

Dele o passar do tempo
permite dizer: na busca da coerência se fez incoerente por vezes, mas autêntico
e singular na personalidade própria de quem, na sede de acertar, se lança ávido a
cavar poços e descobrir fontes de novidade e de conhecimento, sem o medo de
errar que tanto detém e aprisiona.

De sua personalidade  com a têmpera da prudência que ao passar dos anos se acumula e evita injustiças  não se pode dizer
que de todo seja imitável, porém de todo é respeitável na autenticidade do seu inconformismo com tudo que engessa, embora a euforia, por vezes, o tenha impedido
de uma acuidade fecunda que emerge do apaziguar de antônimos, sem o que a
imperfeição campeia qual cavalo selvagem.

Graça Aranha: um
sonhador acordado que fez com a esperança um acordo de sonhar e de criar. E do
sonho criado um motivo novo e um renovar-se para fazer a novidade acontecer…
Mas que importa as flores na primavera se a raiz não se firma?! E é a velhice
da raiz que faz o novo desabrochar, dogma infalível que infelizmente não soube contemplar quando disse “morte a academia”.

Em discurso de recepção do acadêmico Sousa Bandeira, disse Graça Aranha no púlpito da Academia Brasileira: “Academia têm aquela singular e privilegiada função maternal, que é o início remotíssimo da vida, e que infunde a sabedoria… Para ela a verdade somos todos nós, a incoerência da sua própria existência, o desencanto das nossas ilusões individuais, a divergência das nessas idéias, o absoluto de cada um formando o relativo de todos. A verdade são quarenta bocas que se contradizem”.

E quem foi
contraditório na vida, a contradição acompanha na morte: para quem disse morte
a Academia; as academias vivas dizem vida e imortalidade a Ele, porque a vida é viver,
é errar mas querendo acertar. Porque se há o certo ou errado, o importante é
caminhar, com singularidade, autenticidade e a abnegação de sempre  tentar.

E para encerrar em reverência, deixa-se por epílogo uma sentença do próprio Graça Aranha: “cada um de nós é sempre a continuação de outros”.

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