Chegou julho. Em Pinheiro, o mês não é apenas tempo; é destino. A memória, tecelã incansável, insiste em me devolver à infância, aos olhos erguidos para ver passar o andor de Santo Inácio. Altivo e monumental, o Santo ganhava vida no troar dos foguetes na saída da Catedral.
Recordo, como se fosse ontem, aquele 31 de julho em que, menino de dez anos, vi baixarem a imagem para ornamentar o andor. Zé Pereira, sacristão antigo, retirou o barrete de pano para sacudir a poeira.
O primeiro edifício de Pinheiro foi a fé. Esta afirmação me reporta Adão da Costa Amorim, o Mestre Adão — patrono da cadeira que ocupo na APLAC – homem da construção civil, ajudou a erguer as torres da atual catedral de Pinheiro, além de tantas outras edificações de beleza singular, algumas já desaparecidas. Não poderia — seja pela devoção que carrego na alma e pelo amor que trago a Pinheiro no coração — deixar despercebida a passagem do bicentenário da provisão da licença
Chegou o mês de junho — e, no olhar naturalista de Aluísio Azevedo em O Mulato, o mais bonito do Maranhão. O céu se veste de bandeirolas, o ar se enche do cheiro da lenha acesa e a zabumba pulsa no ritmo da terra, cadenciando lá no fundo o próprio bater do coração. Junho é promessa e memória; é o instante em que a identidade se veste de festa e a alma coletiva se reconhece em cada compasso.
Mas há um descompasso que não podemos silenciar: em pleno período junino,
A maternidade não se encerra no ventre, ou se limita ao acaso da natureza. É obra da vontade, vocação da alma, decisão do coração. Há mães que não gestam no útero, mas sim no amor. O sangue é contingência biológica; o cuidado é escolha, renovada todos os dias, em que reside grandeza e revela sua poesia maior no aperto de um abraço, ou de uma saudade.
A biologia que explica a gestação e o parto não define a maternidade.
Neste primeiro de maio, em que celebramos simultaneamente o Dia do Trabalho e o Dia da Literatura, a consciência histórica sobre quem somos e de onde viemos interpela a reflexão sobre o valor da dignidade humana e os instrumentos que a sustentam. O trabalho, quando livre e digno, é expressão da cidadania; a literatura, quando cultivada, é chama que ilumina consciências. Ambos se entrelaçam como pilares de emancipação.
Pinheiro é terra de homens que fizeram da cultura sua missão. Domingos Perdigão, fundador da Faculdade de Direito do Maranhão e diretor da Biblioteca Benedito Leite, ergueu em 1929 a Biblioteca Popular de Pinheiro, consumida pelas chamas da Revolução de 1930, mas cujo clarão ainda ilumina a cidade. No mesmo ano em que se apagava […]
Páscoa vem do hebraico Pessach, que significa passagem: do cativeiro à liberdade, da noite ao dia, da morte à vida. Palavra cuja literalidade é viva: atravessou séculos, religiões e culturas. Do judaísmo ao cristianismo, e do cristianismo ao mundo moderno, mantém-se inalterada no sentido e continua a nos lembrar que viver é sempre atravessar. Hoje, […]
Como Helena de Troia, cuja simples presença moveu exércitos e civilizações, Pinheiro venceu não pela espada, mas pela força de existir. Sua feminilidade simbólica — Princesa da Baixada — revela que não é sombra, mas luz própria; não é cópia, mas original. O protagonismo feminino está inscrito na história da cidade: na educação, na saúde, […]
Em Pinheiro, o carnaval nasceu tímido, fechado entre paredes de clubes que dividiam a alegria conforme a classe econômica e, infelizmente, também pela cor da pele. O esplendor habitava os salões do Casino Pinheirense. Era uma festa privada, marcada por fronteiras sociais que refletiam as desigualdades de seu tempo. Mas a alegria, como rio em […]
Por ocasião do início do Ano Novo. Caríssimos Senhores, saudações pinheirenses. O Ano Novo não é calendário, é estado da alma. É aurora: anuncia o sol, mas traz a incerteza da noite. É decisão íntima de querer, instante em que o ser humano renuncia à inércia e reconhece que a vida pode ser maior que […]