Na manhã chuvosa de 24 de abril de 1930, em Pinheiro, nasceu o menino José, como testemunha a notícia do Jornal Cidade de Pinheiro. Seu avô-profeta, Adriano, escreveu com giz atrás da porta: “Hoje nasceu no Maranhão um grande homem.”
A palavra escrita ganhou vida. A profecia tornou-se destino. E o menino cresceu para honrá-la, transformando-se em escritor e estadista.
Banhado em ouro pelas tradições pinheirenses ao nascer, Sarney carregou consigo o peso da expectativa e o brilho da promessa.
Ainda jovem, ao ser eleito para a Academia de Letras, o avô-profeta celebrou com alegria, soltando foguetes, como quem já sabia que o destino estava cumprido.
Curioso é que, na infância, tropeçava na letra “H”. Quem poderia imaginar que aquele menino, com dificuldade em dizer “H”, seria justamente o homem que escreveria a história da redemocratização brasileira com um “H” maiúsculo e democrático?
Sarney, da simplicidade da casa de chão batido em Pinheiro à eloquência das academias e tribunas legislativas, fez da palavra seu ofício e da história seu legado. Reescreveu o Brasil e, na Presidência da República, foi o jardineiro da Constituição Cidadã, com coragem, pluralismo e fé, sem jamais abandonar suas raízes.
Hoje, aos 95 anos, a trajetória de Sarney é alicerçada na força da palavra — que, escrita atrás de uma porta e banhada em ouro ao nascer, moldou um futuro extraordinário. É paradigma e testemunho de que a palavra bem dita, quando escrita, é profética, é bendita e abençoada.
Parabéns, conterrâneo.

