O Prédio da Antiga Usina:  Luz, Letras e Memórias

Neste tempo de jubileu, onde a existência da APLAC reluz em porcelana é simbólico refletir sobre o espaço que abriga o sodalício: uma casa centenária que pulsa história em cada parede. Relembrar fatos relacionados com a antiga Usina Elétrica, finalidade primeira que motivou a edificação da sede da APLAC, é um passeio pelo tempo com um olhar sobre a importância que desempenha na história e na cultura da nossa terra.

Contemplo a velha casa, repleta de boas lembranças. Hoje, com a idade de 104 anos, é o cenário de uma longa história que começou a ser escrita em 1921, quando foi construída. Por suas dependências passaram pessoas ilustres, mas também pessoas simples que aqui trabalharam. Cada um, ao seu modo, contribuiu para as memórias de Pinheiro.

A casa, abrigou durante muito tempo os motores que produziram energia elétrica. É testemunha das dificuldades, que o dinâmico prefeito, Josias Abreu, enfrentou, no início, para iluminar uma parte da cidade! A prefeitura não dispunha de recursos financeiros. Contraiu empréstimos junto a comerciantes para a compra do motor e parte do material.

Não havia na cidade um imóvel adequado para instalar a usina. O prefeito adquiriu um terreno, próximo ao campo, pela facilidade do acesso para a compra e transporte de carvão, combustível do motor. Havia pressa em construir a casa, evitar o período chuvoso que se aproximava e haveria de retardar a construção. Faltavam tijolos na cidade e fizeram-na de taipa, sob rigorosa fiscalização da obra e escolha de madeiras de qualidade. O grande poço criado para o abastecimento, foi danificado pelas águas fluviais e teve que ser refeito.

Fico a imaginar a emoção das pessoas, na noite de 8 de dezembro de 1922, quando viram as ruas e praças envoltas na brancura da luz elétrica. A energia elétrica, tão sonhada pelos pinheirenses, representava um impulso para o progresso. Com a chegada da energia de Boa Esperança, em 1973, o barulho dos motores e do apito que soava as 21:00, anunciando o sinal de recolher, ficaram somente como lembranças. A velha usina descansou, mas por pouco tempo. 

Transformaram este imóvel em um mercado, quando o antigo prédio do Mercado Municipal foi demolido, para dar origem a um mais moderno. Durante o período da construção, por falta de um lugar adequado, a carne consumida pela população passou a ser vendida aqui.

Houve uma época que a casa se encheu de vozes e sorrisos de crianças. Sua função havia sido modificada. Instalaram no local uma pequena escola, o Grupo Escolar Marechal Dutra. A professora Nelci Moraes, personagem importante na alfabetização de várias gerações, aqui ensinou, seus alunos, a ler e escrever.

Recordo-me deste local como depósito de material da prefeitura. Guardavam também caixões de defuntos, comprados para distribuir aos menos favorecidos. Só não imaginaram, que os cupins se alimentariam da madeira barata com que foram confeccionados.

A casa, onde se respira informações de épocas que ficaram para trás, resiste aos tempos, muito nos orgulha e se tornou guardiã da nossa história. Não podemos permitir que as memórias se percam com o tempo. Não podemos deixar Pinheiro sumir na história. A nossa terra tem um passado glorioso que não pode ser esquecido”.

A nossa anciã por fim acolheu a Academia. Denominada Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências, a APLAC nasceu com o propósito de promover a cultura e o desenvolvimento intelectual do povo de Pinheiro. Fundada em São Luís, em 23 de novembro de 2005, data comemorativa da fundação do Lugar de Pinheiro, foi oficialmente instalada, em Pinheiro, dia 17 de dezembro do mesmo ano, em uma noite memorável no Casino Pinheirense, então sede do Centro dos Idosos.

O sonho de possuir uma sede própria se concretizou durante as festividades dos 150 anos de Pinheiro, quando o prédio histórico foi cedido pela Prefeitura Municipal, em regime de comodato, para abrigar a APLAC. Desde então, a antiga Usina Elétrica tornou-se o coração da Academia — e também da Biblioteca Pública Elisabetho Carvalho, cuja origem remonta a 1954, quando foi inaugurada como Biblioteca de Geografia e História de Pinheiro, vinculada ao Diretório Municipal de Geografia do IBGE.

Nos primórdios, a biblioteca instalava-se no prédio da extinta Loja Maçônica Renascimento de Pinheiro, na Avenida Senador Vitorino Freire (atual Av. Presidente Dutra), onde hoje funciona uma igreja presbiteriana. Trago na memória a emoção que sentia, na infância, ao entrar no local. A visão dos livros e dos móveis me fascinava. As estantes, de estilo refinado, foram confeccionadas no Rio de Janeiro; os demais móveis nobres, adquiridos em São Luís. Creio que a paixão que sinto por livros nasceu naquele lugar.

Com o tempo, a biblioteca enfrentou períodos de decadência, mas foi recuperada pela Prefeitura e rebatizada com justiça como Biblioteca Pública Elisabetho Carvalho, mantendo o nome de seu fundador — o piauiense que tanto contribuiu para o progresso de Pinheiro e a quem a cidade deve gratidão. Após peregrinar por diversos endereços, a biblioteca encontrou abrigo definitivo no prédio da antiga Usina Elétrica, sob as asas da APLAC — servindo à comunidade com dignidade e propósito.

A casa, onde se respira informações de épocas que ficaram para trás, resiste aos tempos, muito nos orgulha e se tornou guardiã da nossa história. Não podemos permitir que as memórias se percam com o tempo. Não podemos deixar Pinheiro sumir na história. A nossa terra tem um passado glorioso que não pode ser esquecido.

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