NO VERDOR DOS ANOS
A noite de verão tropical estava clara e estrelada.
Uma leve brisa soprada do mar
permeava os velhos casarões e inundava a cidade.
Saí para conhecê-la melhor.
Formosa, no verdor ainda da idade.
Uns acham-na já muito antiga
mas eu a acho, simplesmente, linda.
No caleidoscópio dos cinco mil anos de civilização,
é uma criança, no verdor dos seus quatrocentos anos.
Tem uma vida longa pela frente.
Caminhei no silêncio das suas ruas estreitas e desertas.
Passei pelos seus sobradões rendados de azulejos.
Lembrei-me de um passado
que se perdeu, nas brumas do tempo…
Deixei-me divagar por momentos…
Andei pelos becos e vielas do Desterro
E vi batavos ensandecidos deflorá-las.
Subi escadarias e desci ladeiras.
Vi lindas senhoritas, nas sacadas dos mirantes,
com seus longos vestidos e bustos fartos.
Do alto das torres do Santo Antônio, encantei-me com o casario,
banhado pela pálida luz da lua que olhava lá do céu.
Deixei-me envolver pelo cantar de suas fontes e pelo mavioso som
do farfalhar das palmeiras da Praça dos Amores.
Caminhei…
Debrucei-me, nas amuradas do Jenipapeiro,
e vi os primeiros raios do sol beijá-la com ternura.
São Luís acordava…

