A data de 3 de setembro assinala a emancipação política ocorrida em 1856, quando foi criada a Vila de Santo Inácio do Pinheiro, incialmente povoada por índios. No primeiro centenário dessa efeméride, em 1956, houve uma grande celebração cujo maior símbolo foi o obelisco comemorativo, erguido na confluência das ruas Diogo dos Reis, Tito Soares e Benjamin Constant com as avenidas José Paulo Alvim e Presidente Dutra.
Que feliz coincidência: do obelisco partem cinco vias que se entrelaçam formando uma estrela, vista do alto, e que remete inevitavelmente a ideia de luz; da mesma forma, foi a união de cinco mentes brilhantes que permitiu a fundação da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (APLAC). Fundada no ano de 2005, em 23 de novembro, no mesmo dia e mês da fundação do Lugar do Pinheiro.
E por falar no obelisco, destaco com alegria a figura de Jurandy de Castro Leite, um dos fundadores e primeiro presidente da APLAC, que tão bem traduziu esse símbolo na sonoridade da sua “Toada de Cafó”: “Pinheiro do obelisco apontando para o céu”. Um verso vivo que faz pulsar o orgulho de todo pinheirense de nascimento ou de coração. Ao pé desse monumento, erguendo a vista ao céu para onde ele aponta, renova-se a percepção sobre a religiosidade de nossa gente e a devoção a Santo Inácio, patrono que deu nome à vila nos primórdios.
Ao longo desses 170 anos, foram muitos os que ajudaram a erguer nossa cidade, com especial destaque ao lusitano Inácio José Pinheiro, que demarcou, em 1806, o Lugar do Pinheiro, primeiro núcleo do que viria a ser o bairro da Matriz, onde tudo começou. A partir de 1856, destaco três nomes fundamentais para história de Pinheiro, patronos da APLAC, sem demérito aos tantos outros que engrandeceram a nossa trajetória:

- Domingos de Castro Perdigão: pinheirense nato, fundador da Faculdade de Direito do Maranhão, do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, Diretor da Biblioteca Pública Benedito Leite e criador da Biblioteca Popular de Pinheiro, onde plantou a semente da leitura e encarregou o jovem Elisabetho Carvalho como seu primeiro bibliotecário;

- Dr. Elisabetho Carvalho: piauiense que adotou Pinheiro para si. Advogado, juiz de direito, prefeito, fundador da Primeira Escola Normal, fundador do Jornal Cidade de Pinheiro e guardião da biblioteca de Perdigão. Foi a sua visão articuladora que impulsionou a escolha de Pinheiro como sede de uma Prelazia (hoje diocese) que trouxe para este torrão Dom Afonso Ungarelli, a quem recebeu na capital federal e apresentou ao Presidente da República;

- Dom Afonso Ungarelli: que, acolhido por esse caminho aberto por Elisabetho, chegou a Pinheiro em 1946 com os padres italianos Missionários do Sagrado Coração para transformar a cidade pela fé, fundando o Colégio Pinheirense e o Hospital Nossa Senhora das Mercês, entre outros tantos benefícios da atuação de seu apostolado.
O que esses três homens têm em comum? A educação, firme alicerce ao porvir.
Ah, se tivéssemos ouvidos para escutar, o Obelisco testemunhar a voz do advogado Mariano Chagas, paladino da educação que, em 1956, durante a festa do centenário da vila, profetizou o ideal futurista de ver o prédio da antiga cadeia transformado em um espaço de ensino. O prédio que outrora serviu como símbolo de privação e cárcere transformou-se primeiro em escola primária e, hoje, abriga o Campus Pinheiro da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Um sonho feito realidade, que comprova que a educação é a força capaz de libertar, transformar e guiar Pinheiro pelos próximos séculos: verdadeira receita para um futuro promissor.
E para não dizerem que não falei das flores, evoco a memória do ex-prefeito Filadelfo Mendes Filho, o saudoso Dedeco Mendes — homem de elevado senso de civismo, cujas virtudes foram moldadas na sala de aula da insigne professora Ricardina Sodré, mestra que educou gerações e semeou no coração de seus alunos o amor por Pinheiro. Foi sob a inspiração dessas lições de Dona Ricardina que Dedeco não apenas liderou as iniciativas para a criação da bandeira e do hino da nossa cidade, mas também tomou para si a nobre missão de resgatar o prédio em ruínas da primeira cadeia pública, transformando aquele espaço esquecido em escola primária, que o tempo se encarregou de transformar em universidade.
Ao longo desses 170 anos, foram muitos os que ajudaram a erguer nossa cidade, com especial destaque ao lusitano Inácio José Pinheiro, que demarcou, em 1806, o Lugar do Pinheiro, primeiro núcleo do que viria a ser o bairro da Matriz, onde tudo começou.
De volta ao pé do obelisco, abraçando as memórias de Pinheiro e contemplando o infinito para onde ele aponta, que nunca nos falte o desejo de luz para acender propósitos elevados. E por falar em luz, nesta encruzilhada da história, a antiga usina elétrica da cidade — hoje Usina de Ideias e sede da APLAC — ergue-se, literalmente, em um cruzamento de caminhos. Ali, abrigando a Biblioteca Municipal Elisabetho Carvalho (fundada por Dedeco Mendes, aluno de Dona Ricardina), aquele espaço histórico nos convoca com o forte lema acadêmico: acender-se e iluminar.
É hora de sermos profetas como Mariano Chagas e renovar o sonho de Domingos de Castro Perdigão para erguer, no quintal da Usina, uma biblioteca moderna e compatível com as necessidades do nosso tempo para que isso seja realidade depende apenas do poder publico. Se a transformação de uma antiga cadeia em universidade provou ser a chave para um futuro melhor, uma biblioteca moderna e maior, no quintal da casa da literatura pinheirense, com maior razão será o penhor de dias luminosos que deem vida ao pensamento do italiano Pe. Pedro Tidei, quando compôs o hino de Pinheiro: “vive Pinheiro ainda, nos séculos rainha”.

Odilon Soares , Elisabetho e dom Afonso, todos são patronos da APLAC. Essa foto é representatividade do quanto fizeram por Pinheiro

