No dia 15 de outubro, Dia do Professor, estive rememorando toda a minha trajetória, no magistério, e refletindo sobre tudo o que ocorreu ao longo desses agradáveis 51 anos.
Tudo iniciou, em 1956, no Seminário de Santo Antônio, em São Luís-MA., onde passei parte da minha adolescência. O padre Reitor me designou Monitor de Música para o primeiro ano. Passei, então, a ensinar Teoria musical e Solfejo.
Ao deixar o Seminário, em 1958, decidi não receber mesada da minha mãe para cobrir as minhas despesas, afinal já não era nenhuma criança. Desta forma, passei a dar aulas particulares de Latim e Português até 1963 quando eu fazia o terceiro ano médico, na Faculdade de Medicina da Universidade do Maranhão.
Em um certo dia desse mesmo ano, estava estudando, na Biblioteca Benedito Leite, quando o Diretor do Liceu, à época, se aproximou de mim e convidou-me para ir com ele até o seu gabinete.
O segui. Subimos a escada principal do prédio. Prosseguimos. Para minha surpresa, ele me conduziu à sala de aulas da Turma 31 do terceiro ano do Científico. Turma masculina. A algazarra era grande.
– O que eu vim fazer aqui? Perguntava a mim mesmo.
Ele pediu silêncio. A turma calou. Ele lhes disse: “Quero lhes apresentar o Professor Aymoré que vai ensinar Biologia para vocês”. Esfriei dos pés à cabeça diante daquela realidade.
Ele se voltou para mim: “Professor, exerça disciplina com essa turma. O senhor já é o terceiro professor este ano de Biologia. Os outros dois não aguentaram”. Eu queria desaparecer naquele momento.
Depois eu só ouvi o professor dizer para a turma: “Amanhã, às 11 horas, será a primeira aula do Professor Aymoré. Quero todos aqui”.
A seguir, saímos em direção ao seu gabinete.
– Professor, eu posso ensinar Química. Eu não sei quase nada de Biologia. Nunca gostei.
– “Nada disso, Aymoré, você está fazendo Medicina, logo tem que saber. É amanhã, não vai faltar. Estou confiando em você”.
Nesse momento, despedi-me do Sr. Diretor do Liceu Maranhense. Peguei o bonde São Pantaleão e desci, na Praça João Lisboa. Dirigi-me a uma Livraria que havia, na rua de Nazaré. Comprei os livros de Biologia de diferentes autores que por lá havia e fui para casa. Tranquei-me no quarto e comecei a preparar a primeira aula: A Célula e suas funções e Divisão celular. A primeira aula é sempre muito importante. Nada de almoço nem jantar. Também nessa noite não dormi. No outro dia, às 11 horas adentrava na sala de aulas da Turma 31.
A experiência inicial foi muito boa. Alunos muito receptivos. Fiz bons amigos. Dentre eles, lembro-me do Dr. Gastão Vieira, advogado e político. Assim, permaneci como Professor de Biologia do Liceu Maranhense até o final de 1966, ano da minha graduação em Medicina.
Retroagindo, um pouco, no tempo, em 1964, quando cursava o quarto ano médico, o Professor José Maria do Amaral, dono do Curso Preparatório aos vestibulares e no qual estudei, mandou-me dizer que queria falar comigo. Fui.
“Professor Aymoré, como me chamava, a Universidade introduziu, no programa para o vestibular do próximo ano da área da Saúde, a disciplina Anatomia Comparada. É algo novo e por isso me lembrei do senhor para assumir essa disciplina aqui no Cursinho”.
– Professor José Maria, é um desafio. Nunca ouvi falar em algo semelhante. Mas, aceito.
Iniciei e gostei. No ano seguinte, tendo o Professor que se afastar para cursar Especialização no Rio de Janeiro, deixou-me também responsável por toda a Biologia. Ao retornar, atribuiu-me a responsabilidade pela Biologia Geral, Zoologia, e Noções de Genética. Permaneci, no Curso do Professor José Maria, até 1980 quando passei como docente da UFMA para a classe de Professor Adjunto, em regime de Dedicação Exclusiva.
A minha jornada, na Universidade Federal do Maranhão, ou melhor, na Fundação Universidade do Maranhão, teve início em 1970. Foi uma sucessão de períodos agradáveis que me deixaram ternas recordações. Em agosto desse ano, fui contratado como Docente Provisório para substituir, na disciplina de Parasitologia, a Profª Moema que foi cursar Mestrado, nessa área, na Universidade Federal de Minas Gerais. Não era bem o que eu queria, mas…
Foi outro desafio. Estava me preparando para fazer o Concurso para a Disciplina de Ginecologia do Departamento de Medicina III. Mas, aceitei. Moema me fez acreditar que como já ensinava Biologia para mim era mais fácil.
Nova experiência que também gostei. Em 1971, foi aberto o concurso público para Professor Auxiliar de Ensino, na disciplina de Parasitologia do Departamento de Parasitologia e Microbiologia, que tinha como Titular o Professor Salomão Fiquene e pertencia ao Instituto de Ciências Físicas e Naturais da UFMA cujo Diretor era o Professor Paulo de Tarso Brandão. Consegui o primeiro lugar e fui nomeado para a função. Em 1978, passei para a Classe de Professor Assistente de Parasitologia Médica após novo concurso público no qual também me classifiquei em primeiro lugar.
Por fim, em 1980, ascendi à Classe de Professor Adjunto e, assim, permaneci até 2010 quando fui aposentado após 40 anos de atividades docentes, na Universidade Federal do Maranhão e haver passado os últimos anos de atividades lecionando também História da Medicina. Exerci outras funções administrativas, de extensão e de pesquisa que me deram uma boa experiência e uma grande satisfação de trabalhar, na Universidade na qual me formei.
Em 2020, no Reitorado do Professor Natalino Salgado Filho, tive a honra de ser distinguido com o Título de Professor Emérito da UFMA.
São lembranças que marcaram a minha vida cuja memória se reaviva, no encontro de cada colega que foi meu professor ou meu aluno.
Essa graça eu devo ao meu Deus.

