A Infância e a Leitura do Mundo

Há nas crianças uma arquitetura sutil e magnífica: a de uma biblioteca cujas estantes não guardam tomos empoeirados, mas páginas vivas, abertas ao sol e impregnadas do desejo de devorar o mundo.

Se a vida adulta amiúde se reduz a uma edição revista e anotada pelas certezas do tempo, a infância permanece como o manuscrito original, sem rasuras, pulsante de curiosidade, onde cada imagem é uma revelação e cada palavra vista pela primeira vez tem o frescor da criação do universo.

A coincidência deste doze de outubro (dia das crianças e dia nacional da leitura) reúne duas celebrações que nascem do mesmo impulso primordial. A infância é a oficina onde se fabrica a inteligência de uma nação. A leitura, contudo, precede e excede as páginas impressas: é o gesto fundador de decifrar o real, interpretar os silêncios e conferir sentido à própria existência.

Que saibamos honrar a grandeza desse olhar inaugural. Cultivar a leitura na infância é acender, na memória de nossa terra, o farol inabalável que guia o pensamento, ilumina o espírito e assegura ao homem a dignidade do seu próprio destino.

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