O povo de Pinheiro e o padroeiro do município

Nas duas primeiras décadas do século passado, os festejos em homenagem a Santo Inácio, Padroeiro de Pinheiro, perderam muito daquela animação dos tempos passados.

A falta de um pároco permanente, na freguesia, deve ter contribuído bastante para tal situação. Nesse período, o monsenhor José Bráulio Nunes era vigário de São Vicente de Ferrer e, sempre que podia, principalmente, quando os campos começavam a secar, vinha a Pinheiro celebrar a festa de Santo Inácio e de outros santos dentro do calendário litúrgico da vila.

A partir de 1920, Pinheiro começou a passar por uma série de transformações quer no seu contexto político-social quer na sua feição urbanística, numa seqüência de desenvolvimento econômico iniciado, em 1914, quando foi implementada a exportação da amêndoa do babaçu.

A partir de 1920, Pinheiro começou a passar por uma série de transformações quer no seu contexto político-social quer na sua feição urbanística, numa seqüência de desenvolvimento econômico iniciado, em 1914, quando foi implementada a exportação da amêndoa do babaçu.

Pela Lei Estadual No 911 de 30 de março de 1920, a vila de Santo Inácio do Pinheiro foi elevada à categoria de cidade com o nome de Pinheiro. A Intendência cede lugar à Prefeitura e as primeiras eleições para o chefe da municipalidade são realizadas, no ano seguinte.

O recenseamento nacional de 1o de setembro de 1920 registrava para Pinheiro uma população de 19.820 habitantes, colocando, assim, a nova unidade municipal em terceiro lugar dentre os municípios mais populosos do Estado depois de São Luís e Caxias. Se partirmos dos 33 habitantes que em 1822 formavam o núcleo populacional do antigo lugarejo, verificamos que, nesse primeiro século de existência, Pinheiro registrou um descomunal crescimento demográfico de 60% ou seja, registrou 59.960 habitantes. (SOARES.W, Cidade de Pinheiro, dez., l931). No que concerne ao aspecto paisagístico da cidade, o intendente e depois prefeito, coronel José Anastácio de Araújo e Souza, iniciou, em 1921, um programa de recuperação de ruas e praças, priorizando a Praça da Matriz com a limpeza do mato que vinha tomando quase toda a área e sua arborização.

O recenseamento nacional de 1º de setembro de 1920 registrava para Pinheiro uma população de 19.820 habitantes, colocando, assim, a nova unidade municipal em terceiro lugar dentre os municípios mais populosos do Estado depois de São Luís e Caxias.

Ao assumir como o primeiro prefeito eleito do novo município, em primeiro de janeiro de 1922, o Sr. Josias Peixoto de Abreu voltou a sua administração, primeiramente, para a melhoria do aspecto da cidade. Completa o serviço de limpeza e arborização da Praça da Matriz e de outros logradouros. Com base no Código de Postura promulgado em 1893, passou a disciplinar o ordenamento urbano e proibiu a construção de casas de palha, nas principais ruas e praças da cidade. Ao mesmo tempo, tomou as primeiras medidas para implantação da iluminação elétrica, cuja inauguração ocorreu em dezembro desse mesmo ano.

Por iniciativa do major José Cruz Lima e com dinheiro arrecadado de contribuições populares foi construído, no início de 1922, na Praça da Matriz, um coreto que ate bem pouco tempo ainda existia, no lado direito da igreja. Ali, eram realizadas, durante os festejos do Santo Padroeiro e dos outros Santos então cultuados, retretas com a banda de música do mestre Honório e, posteriormente, com a orquestra do Sr. Felipinho Pessoa, o que atraia grande multidão para os ofícios religiosos e depois para o largo, nas noites que antecediam e no próprio dia da festa.

Outros melhoramentos recebeu, ainda, a Praça da Matriz. Foi construído o novo prédio da cadeia pública, na esquina em frente à residência do Sr. Carrinho Correia e a antiga casa Cujuba passou por grande reforma feita pelo seu proprietário, o mestre Adão Amorim, que, a partir de então, passou-se a chamar Casa Bom Futuro. É claro que todos esses melhoramentos mudaram bastante o aspecto da velha praça, o que fez com que voltasse a ser novamente um dos pontos de reuniões dos habitantes de Pinheiro.

Além dessas melhorias, para melhor dinamizar mais ainda as festas da Igreja, principalmente, do Padroeiro era necessário resolver o problema da falta de um padre residente.

Em virtude das dificuldades para dispensar uma melhor assistência à freguesia, o cônego Bráulio que respondia pela mesma foi substituído, em janeiro de 1922, pelo padre Mariano Brito que teve um período de atividades muito curto. Isto ensejou a anexação de Pinheiro à paróquia de São Bento cujo pároco era o padre Felipe Condurú Pacheco.

Embora a presença do padre Condurú ocorresse com certa frequência era, realmente, o seu coadjutor, padre Raymundo Mello Martins, quem assistia mais amiúde à comunidade. Tal disponibilidade, por certo, o levou, em 1923, a ser designado vigário da paróquia de Santo Inácio, cargo este do qual teve de se afastar, em maio de 1925, por haver se indisposto com autoridades locais. Assumiu, embora por pouco tempo, como vigário cooperador, o padre José Ferreira Gomes que viabilizou junto à Cúria, em São Luís, a construção da Capela dos Remédios, na Praça da Independência, hoje, praça de São Benedito. No final de 1925, chegou a Pinheiro o novo vigário, padre José Severo em cujo vicariato teve início a formação do coro da Igreja com senhoras e senhoritas católicas para o acompanhamento das missas solenes, nos dias de festa, e de outros atos litúrgicos.

Em 1929, Pinheiro recebeu a visita pastoral do Arcebispo D. Otaviano Albuquerque que recebeu dos pinheirenses pedidos para a construção de uma nova igreja matriz em virtude das condições em que se encontrava a atual. O Sr. Arcebispo prometeu estudar os pedidos e, em novembro desse mesmo ano, substituiu o padre Severo pelo padre Francisco Melchiades de Mello a quem coube a construção da nova igreja, no mesmo lugar da antiga, cujas formas arquitetônicas permaneceram até recentemente quando, novamente, foi reformada pelo vigário, padre Almir.

Ao longo dessa década, as festas de Santo Inácio foram marcadas por muita religiosidade e por muita animação.

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