Amélia Campos: A primeira mulher na política de Pinheiro.

Amelia Campos durante o centenário de Pinheiro, com Assis Chateaubrian, que, na ocasião, representou o Presidente JK nas festividades.

Em uma época em que a participação feminina na política era rara e cercada de obstáculos, Maria Amélia de Oliveira Campos tornou-se um marco na história de Pinheiro. Primeira mulher a atuar politicamente no município, sua trajetória é exemplo de coragem, liderança e dedicação à causa pública.

Nascida no Rio Grande do Norte e criada em Belém do Pará, Amélia chegou a Pinheiro acompanhada do marido, Armindo Marques de Campos, português do Distrito de Aveiro. A mudança foi incentivada por famílias lusitanas já estabelecidas na cidade, como os Paiva e os Gonçalves, que viam no casal um potencial para contribuir com o desenvolvimento local.

Com espírito empreendedor e vocação para o ensino, Amélia fundou em sua própria casa a Escola Profissional de Alta Costura e Flores. A iniciativa ofereceu às mulheres da região a oportunidade de aprender uma profissão e conquistar autonomia em tempos de escassas opções no mercado de trabalho.

Visionária, também atuou como agente de companhias aéreas que operavam com aviões teco-teco, como a Estrela Matutina, Companhia Aliança e Cobras Táxi Aéreo. Era figura constante no aeroporto Salgado Filho, onde acompanhava chegadas e partidas, muitas vezes guiada apenas pelo som dos motores que identificava com precisão.

Foi nesse ambiente que incentivou o jovem Olivar Weba, então seu ajudante, a seguir carreira como piloto. Com apoio do comandante Maranhão, Weba tornou-se dono da empresa Cobras Táxi Aéreo, consolidando o legado de Amélia como mentora e promotora de talentos.

Na política, ingressou no Partido Social Progressista (PSP), fundado por Ademar de Barros. Tornou-se presidente da sigla em Pinheiro em 1950, após recepcionar o líder nacional com um jantar que reuniu figuras influentes da cidade. Com forte presença e habilidade na oratória, Amélia enfrentou o grupo dominante ligado ao vitorinismo e ao PSD, tornando-se voz ativa da oposição.

Mesmo diante de perseguições e fraudes eleitorais, manteve-se firme em seus ideais. Candidatou-se uma única vez à Câmara Municipal, sem sucesso, mas nunca abandonou a militância. Com a extinção dos partidos em 1965 pelo AI-2, ajudou a instalar a ARENA em Pinheiro, permanecendo ativa até o fim da vida.

Teve como parceiro político Manoel do Carmo Veloso, o Gereba, homem simples e combativo, conhecido por escrever frases de impacto e críticas afiadas nos muros da cidade, denunciando os abusos do grupo dominante.

Em 1968, após sofrer um AVC, foi levada a São Luís em avião enviado pelo governador José Sarney, seu amigo pessoal. Faleceu no mesmo dia, deixando uma lacuna na política local. O comandante Olivar Weba, em gesto de gratidão, disponibilizou seus aviões para transportar o corpo da amiga e seus familiares. Seu funeral reuniu autoridades, admiradores e cidadãos de várias partes do estado, todos tocados por sua trajetória.

Maria Amélia Campos não apenas abriu caminho para outras mulheres na política pinheirense — ela o fez com dignidade, coragem e visão. Seu nome permanece como símbolo de pioneirismo e inspiração para as gerações futuras.

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