Páscoa vem do hebraico Pessach, que significa passagem: do cativeiro à liberdade, da noite ao dia, da morte à vida. Palavra cuja literalidade é viva: atravessou séculos, religiões e culturas. Do judaísmo ao cristianismo, e do cristianismo ao mundo moderno, mantém-se inalterada no sentido e continua a nos lembrar que viver é sempre atravessar.
Hoje, no instante em que a vida passa e o tempo nos atravessa, Páscoa é metáfora universal de travessia.
Hoje, no instante em que a vida passa e o tempo nos atravessa, Páscoa é metáfora universal de travessia. É também sinônimo de Ressurreição: convite ético que ultrapassa a dimensão religiosa de um milagre distante. É chamado à luz que dissipa trevas e obscurantismos, compromisso com a claridade que faz do intelecto um sol primaveril de ideias, esperanças e valores sem poente.
A vida é feita de passagens: da infância à maturidade, da dor ao consolo, da perda ao reencontro. Mas há algo que sustenta todas essas travessias: a palavra. Ser é viver e dizer é permanecer. O instante dito é infinito. Que a Páscoa nos relembre, como os hebreus que atravessaram o Mar Vermelho, que não basta atravessar: é preciso dar sentido à travessia.
É chamado à luz que dissipa trevas e obscurantismos, compromisso com a claridade que faz do intelecto um sol primaveril de ideias, esperanças e valores sem poente.
Que na vida de cada um se conserve o ímpeto de ressurgir e atravessar — para passar sempre para o que é melhor.