Por ocasião da efeméride do Dia das Mães.
Caríssimas Senhoras, saudações pinheirenses.
A maternidade não se encerra no ventre, ou se limita ao acaso da natureza. É obra da vontade, vocação da alma, decisão do coração. Há mães que não gestam no útero, mas sim no amor. O sangue é contingência biológica; o cuidado é escolha, renovada todos os dias, em que reside grandeza e revela sua poesia maior no aperto de um abraço, ou de uma saudade.

A biologia que explica a gestação e o parto não define a maternidade. Um filho nasce das entranhas ou apenas do encontro, mas sempre é concebido no coração — e isso é absoluto. É no gesto que acolhe, no silêncio que protege, na palavra que embala, que se revela a essência materna — amor sem medida que dispensa justificativas — mas é na diversidade que floresce sua maior beleza: na mãe que educa sem ter gerado, na que acolhe sem ter esperado nove meses, na que transforma a ausência de laços biológicos em presença de afeto.
É no gesto que acolhe, no silêncio que protege, na palavra que embala, que se revela a essência materna
Ser mãe é estar onde o filho precisa, é reinventar-se no cotidiano, é fazer da existência comum um território de vida — e isso é transcendente, é maternal. E no fim, quando todas as palavras se recolhem, permanece o que não se explica: a mãe. O olhar que não desiste, a mão que não solta, o coração que não se cansa — a eternidade que sangra e floresce no mesmo gesto, presença que rasga o tempo, com amor que não pede nada, apenas existe para além de si.

